Corte de impostos sobre diesel não repõe nem último reajuste da Petrobras

14/07/2021
Fonte: Folha de São Paulo
Nicola Pamplona - Rio de Janeiro
Desde o início do governo, preço do combustível já subiu 40% acima da inflação
A redução de impostos federais sobre o diesel anunciada nesta terça-feira (13) pelo presidente Jair Bolsonaro não cobre nem o último reajuste promovido pela Petrobras, de R$ 0,10 por litro, que entrou em vigor no último dia 6.
Assim como ocorreu na isenção temporária de PIS/Cofins durante os meses de março e abril, o benefício deve ser engolido pelo repasse do aumento nas refinarias, seus efeitos sobre os impostos estaduais e pelo preço do biodiesel, que segue em alta no país.
Bolsonaro anunciou um corte de R$ 0,04 no PIS/Cofins, baixando o imposto de R$ 0,31 para R$ 0,27 por litro. Se o corte fosse integralmente repassado de imediato, o preço médio do combustível no país cairia 0,09%, para R$ 4,541 por litro.
Ainda assim, o produto segue em patamares recordes, bem acima dos verificados durante a greve dos caminhoneiros em 2018. E sem sinal de alívio, já que o diesel iniciou a semana em alta no mercado internacional e o real voltou a desvalorizar depois de ensaiar uma recuperação.
No fim de junho, lideranças dos caminhoneiros estiveram na Petrobras e ouviram que a política de alinhamento aos preços internacionais é importante para a companhia. Uma semana depois, a empresa anunciou reajustes no diesel, na gasolina e no gás de cozinha, e a categoria voltou a ventilar ameaças de greve.
Foram os primeiros aumentos da gestão do general Joaquim Silva e Luna, que assumiu a empresa após a conturbada demissão de Roberto Castello Branco em meio a uma escalada dos preços dos combustíveis, gerando expectativas sobre mudanças radicais na política comercial da companhia.
Já em seu discurso de posse, disse que o desafio era "conciliar consumidor e acionista" mas defendeu o alinhamento de preços. Em seus quase três meses de gestão, reduziu a frequência dos reajustes, mas não fugiu à responsabilidade de acompanhar a recuperação do petróleo.
Apesar dos afagos do governo aos caminhoneiros, dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) mostram que o preço do diesel nas refinarias subiu 40% desde o início da gestão Bolsonaro, já descontada a inflação do período.
Para analistas, embora o petróleo tenha se recuperado após a pandemia, a taxa de câmbio é o principal motor dessa alta. Enquanto a cotação do Brent, referência internacional negociada em Londres, subiu 23%, o dólar ficou 33% mais caro no período.
Assim, na avaliação do mercado, enquanto a taxa de câmbio não der um alívio, a política de preços da Petrobras permanecerá pressionada. E, apesar da alta dos juros e da volta do capital estrangeiro à Bolsa, a crise política e institucional continua sendo um importante combustível para manter o dólar nas alturas.

Compartilhe esta notícia

Já sou cadastrado no site


esqueci minha senha

ou

Não tenho cadastro no site


Se você já é sócio do Sincopetro e não tem acesso a área restrita deste site, cadastre sua senha.





Newsletter


cadastre-se para receber nossa newsletter





Sincopetro Vídeos


Patrulha do Consumidor mostra como ocorrem fraudes em postos de combustíveis

Clicando em "Aceito todos do cookies", você concorda com o armazenamento de cookies no seu dispositivo para melhorar a experiência e navegação no site.

Aceito todos do cookies