Preço sobe e estimula a produção de etanol

13/09/2017
Fonte: Valor Econômico
Camila Souza Ramos
Agosto foi o mês da virada na produção sucroalcooleira desta safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul. A preferência pelo etanol em detrimento do açúcar por causa dos preços mais elevados do biocombustível refletiu-se em uma produção quinzenal menor de açúcar e maior de etanol (tanto anidro como hidratado) pela primeira vez desde o início da safra 2017/18, segundo dados divulgados ontem pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica).
Na segunda quinzena de agosto, foram produzidas 2,536 milhões de toneladas de açúcar, 0,47% inferior ao mesmo período da safra passada. O volume também foi inferior à produção da primeira metade de agosto, de 3,159 milhões de toneladas.
Por sua vez, a produção de etanol hidratado na quinzena superou a do mesmo período do ano passado e alcançou 1,025 bilhão de litros, com alta de 3,9%. Até então, a fabricação do biocombustível estava sempre abaixo dos níveis da safra passada. Em relação às quinzenas anteriores, porém, o volume ainda foi menor.
A produção de etanol anidro já vinha acima dos níveis do ciclo passado, ganhando espaço sobre o hidratado. Na última quinzena, a produção continuou acima dos níveis de 2016/17 (alta de 2,16%), mas foi menor do que nas quinzenas anteriores, somando 749 milhões de litros.
Essa mudança para uma tendência mais alcooleira da safra já vinha ocorrendo paulatinamente nas quinzenas anteriores, mas foi na segunda metade de agosto que a parcela do caldo de cana destinada ao açúcar ficou abaixo do mesmo período da última safra. O "mix" açucareiro da segunda metade de agosto foi de 46,95%, ante 47,75% um ano antes. Na quinzena anterior, o mix fora de 50,04%.
Nesse cenário, as vendas de etanol reagiram. Superando as expectativas da maior parte dos analistas, foram vendidos 1,366 bilhão de litros de etanol hidratado para o mercado interno em agosto, ante um patamar de cerca de 1,1 bilhão de litros nos meses anteriores. Em um mês, o avanço foi de 23,05%.
Em nota, a Unica avaliou que essa retomada do mercado de etanol hidratado se deve a vários fatores, que vão desde a redução das importações, o ajuste nos preços diários da gasolina na refinaria pela Petrobras, as alterações tributárias que favoreceram o biocombustível, e de "uma provável recuperação no consumo global de combustíveis leves no país", além de uma "eventual antecipação na compra das distribuidoras".
Após a alteração das alíquotas de PIS/Cofins sobre o etanol e a gasolina, o biocombustível passou aos poucos a ser mais vantajoso que seu concorrente nas bombas do país, com o preço abaixo de 70% da gasolina. Antes da alteração tributária, o etanol só estava mais competitivo em São Paulo e Mato Grosso. Em agosto, o produto também passou a ser mais vantajoso em Minas Gerais e Goiás.
Na semana encerrada em 9 de setembro, o etanol caiu em 17 Estados e, no Paraná, aproximou-se do nível de equivalência energética da gasolina, ficando em 71,3%, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
 
 
 

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